A Segunda Revolução Industrial, já estudada na página anterior, criou uma necessidade voraz por matérias-primas — algodão, borracha, minérios — que a Europa não produzia em quantidade suficiente, por mercados consumidores para absorver os produtos das fábricas em plena expansão, e por áreas onde investir o capital excedente que os bancos e industriais europeus acumulavam. Some-se a isso os avanços técnicos militares e médicos do período — armas de repetição, navios a vapor blindados e, sobretudo, a descoberta do quinino como tratamento eficaz contra a malária — que permitiram, pela primeira vez, que exércitos europeus relativamente pequenos penetrassem e permanecessem em regiões tropicais da África que antes eram praticamente inacessíveis a eles por causa das doenças.
Em 1884–1885, representantes das principais potências europeias reunidos em Berlim, por iniciativa do chanceler alemão Otto von Bismarck, dividiram entre si o continente africano sem consultar nenhum líder ou povo africano, traçando fronteiras artificiais no mapa que ignoravam completamente a distribuição real de povos, idiomas, reinos e culturas locais — uma raiz direta de muitos conflitos étnicos e territoriais africanos que persistem até os dias de hoje. Ao final desse processo acelerado de partilha, apenas a Etiópia e a Libéria seguiam formalmente independentes em todo o continente africano, e mesmo a Libéria mantinha laços de dependência econômica estreitos com os Estados Unidos.
Povos colonizados resistiram com as armas e estratégias que tinham à disposição — dos guerreiros zulus na África Austral à Revolta dos Cipaios na Índia, em 1857, passando por dezenas de outras rebeliões locais menos conhecidas — plantando, mesmo quando derrotados militarmente, as sementes organizativas e identitárias dos movimentos de independência que eclodiriam com força no século XX. A rivalidade imperialista entre as próprias potências europeias, disputando território e influência em praticamente todos os continentes, também alimentou diretamente as tensões diplomáticas e militares que levariam, poucos anos depois, à eclosão da Primeira Guerra Mundial.
💡 Você sabia? A Etiópia foi uma das raras nações a resistir com sucesso à colonização europeia, derrotando a Itália na Batalha de Adwa em 1896.
O historiador britânico Eric Hobsbawm, em A Era dos Impérios, explica a corrida colonial do final do século XIX principalmente por razões econômicas: as potências industriais precisavam de novos mercados consumidores, matérias-primas baratas e áreas para investir capital excedente — a competição entre elas por essas vantagens teria sido o motor central da partilha da África e da Ásia.
Já o crítico literário palestino-americano Edward Said, em Cultura e Imperialismo, argumenta que a explicação puramente econômica é insuficiente: para ele, o imperialismo também dependeu de uma justificativa cultural — romances, pinturas, relatos de viagem e obras acadêmicas europeias construíram uma imagem dos povos colonizados como “atrasados” ou “incapazes de se autogovernar”, uma narrativa que tornava a dominação aceitável aos olhos do público europeu.
O historiador irlandês Thomas Pakenham, em The Scramble for Africa, foca menos na teoria e mais na narrativa concreta dos eventos: sua obra reconstrói em detalhe a disputa entre as potências europeias — a Conferência de Berlim (1884-85), as expedições, as rivalidades diplomáticas — mostrando como decisões tomadas em salas de reunião na Europa redesenharam fronteiras de um continente inteiro sem consultar seus habitantes.
Este resumo se apoia, entre outras fontes, em três referências centrais sobre o Imperialismo: