A Segunda Revolução Industrial criou uma necessidade voraz por matérias-primas, mercados consumidores para os produtos industrializados e áreas de investimento para o capital excedente — impulsionando a corrida colonial das potências europeias, dos Estados Unidos e do Japão.
Em 1884–1885, potências europeias reunidas em Berlim dividiram entre si o continente africano sem consultar nenhum africano, traçando fronteiras artificiais que ignoravam povos, idiomas e culturas — raiz de muitos conflitos africanos até hoje. Ao final do processo, só Etiópia e Libéria seguiam formalmente independentes.
Povos colonizados resistiram com as armas que tinham — dos zulus na África à Revolta dos Cipaios na Índia — plantando as sementes dos movimentos de independência do século XX. A rivalidade imperialista entre as potências europeias também alimentou as tensões que levariam à Primeira Guerra Mundial.
💡 Você sabia? A Etiópia foi uma das raras nações a resistir com sucesso à colonização europeia, derrotando a Itália na Batalha de Adwa em 1896.
O historiador britânico Eric Hobsbawm, em A Era dos Impérios, explica a corrida colonial do final do século XIX principalmente por razões econômicas: as potências industriais precisavam de novos mercados consumidores, matérias-primas baratas e áreas para investir capital excedente — a competição entre elas por essas vantagens teria sido o motor central da partilha da África e da Ásia.
Já o crítico literário palestino-americano Edward Said, em Cultura e Imperialismo, argumenta que a explicação puramente econômica é insuficiente: para ele, o imperialismo também dependeu de uma justificativa cultural — romances, pinturas, relatos de viagem e obras acadêmicas europeias construíram uma imagem dos povos colonizados como “atrasados” ou “incapazes de se autogovernar”, uma narrativa que tornava a dominação aceitável aos olhos do público europeu.
O historiador irlandês Thomas Pakenham, em The Scramble for Africa, foca menos na teoria e mais na narrativa concreta dos eventos: sua obra reconstrói em detalhe a disputa entre as potências europeias — a Conferência de Berlim (1884-85), as expedições, as rivalidades diplomáticas — mostrando como decisões tomadas em salas de reunião na Europa redesenharam fronteiras de um continente inteiro sem consultar seus habitantes.
Este resumo se apoia, entre outras fontes, em três referências centrais sobre o Imperialismo: