A Partilha do Mundo
O imperialismo do século XIX foi o processo de dominação política, econômica e militar das potências europeias industrializadas sobre vastas regiões da África, Ásia, Oceania e América Latina. Diferentemente do colonialismo anterior — voltado principalmente para o comércio de especiarias e metais preciosos —, o novo imperialismo buscava matérias-primas para as indústrias europeias, mercados consumidores para os produtos industrializados e áreas de investimento para os capitais excedentes. Entre 1880 e 1914, as potências europeias dividiram entre si quase todo o continente africano e grandes porções da Ásia.
A Partilha da África
Em 1884–1885, representantes das principais potências europeias reuniram-se em Berlim para “regulamentar” a ocupação da África. Nenhum africano foi convidado. A chamada Conferência de Berlim estabeleceu as regras da corrida colonial e resultou na divisão do continente em zonas de influência europeias, traçando fronteiras artificiais que ignoravam completamente a distribuição dos povos, idiomas e culturas africanas. Ao final do processo, apenas a Etiópia e a Libéria permaneciam formalmente independentes. Essa imposição de fronteiras arbitrárias está na raiz de muitos dos conflitos que afligem o continente africano ainda hoje.
As Justificativas do Imperialismo
Os europeus justificavam a dominação colonial com uma mistura de racismo, paternalismo e interesse econômico. A ideia do “fardo do homem branco” — expressão popularizada pelo escritor Rudyard Kipling — afirmava que os europeus tinham a obrigação de “civilizar” os povos “atrasados”. O darwinismo social — uma distorção das teorias de Darwin — argumentava que a dominação dos povos mais “fortes” (leia-se: europeus) sobre os mais “fracos” era uma lei natural. Essas ideologias, por mais absurdas que hoje pareçam, eram amplamente aceitas nas sociedades europeias da época e serviam para legitimar a exploração brutal dos povos colonizados.
A Resistência dos Povos Colonizados
A dominação colonial não foi aceita passivamente. Em toda a África e Ásia, povos e líderes resistiram à conquista europeia com as armas que tinham. Os zulus infligiram uma das maiores derrotas da história colonial britânica na Batalha de Isandlwana (1879). Na Etiópia, o imperador Menelik II derrotou os italianos na Batalha de Adwa (1896) — uma das raras vitórias de um exército africano sobre uma potência europeia. Na Índia, a Revolta dos Cipaios (1857) sacudiu o domínio britânico. Essas resistências, embora geralmente derrotadas pela superioridade tecnológica europeia, plantaram as sementes dos movimentos de independência do século XX.
O Imperialismo e a Primeira Guerra Mundial
A corrida imperialista aguçou as rivalidades entre as potências europeias, criando tensões que contribuíram para a eclosão da Primeira Guerra Mundial em 1914. Disputas por territórios coloniais, por zonas de influência econômica e por prestígio nacional alimentaram um clima de desconfiança e competição que só esperava um estopim para explodir. O imperialismo, ao unir o mundo economicamente sob a dominação europeia, criou paradoxalmente as condições para o conflito mais destrutivo que a humanidade havia vivido até então.