Nacionalismo exacerbado, disputas imperialistas por colônias e um sistema rígido de alianças militares — Tríplice Aliança e Tríplice Entente — criaram uma Europa em polvorosa, onde qualquer crise poderia arrastar todas as grandes potências ao conflito.
Em 28 de junho de 1914, o arquiduque Francisco Ferdinando foi assassinado em Sarajevo. O sistema de alianças fez o resto: em semanas, Áustria-Hungria, Rússia, Alemanha, França e Grã-Bretanha estavam todas em guerra.
O Tratado de Versalhes (1919) impôs à Alemanha pesadas reparações e a humilhante “cláusula de culpa de guerra”. Impérios inteiros — austro-húngaro, russo, otomano e alemão — desmoronaram, redesenhando o mapa da Europa.
💡 Você sabia? As duras condições impostas à Alemanha pelo Tratado de Versalhes ajudaram a criar o ressentimento que, duas décadas depois, alimentaria a ascensão do nazismo.
O historiador australiano Christopher Clark, em Sonâmbulos: Como a Europa Foi Parar na Guerra em 1914, propõe uma imagem marcante: os líderes europeus não escolheram deliberadamente a guerra, mas “caminharam como sonâmbulos” rumo a ela, através de uma cadeia de decisões mal calculadas, desconfianças mútuas e falhas de comunicação entre as potências — nenhuma nação teria planejado friamente aquele desastre.
A historiadora canadense Margaret MacMillan, em 1914: De Paz a Guerra, examina o mesmo período pré-guerra, mas dá peso maior às escolhas pessoais dos líderes: para ela, embora as alianças e o militarismo criassem condições perigosas, ainda havia margem para decisões diferentes em vários momentos da crise de julho de 1914 — a guerra não era um destino inevitável escrito de antemão.
Já o historiador militar britânico John Keegan, em A Primeira Guerra Mundial, desloca o foco das causas para a própria experiência do conflito: sua obra reconstrói em detalhe a guerra de trincheiras, as novas tecnologias (metralhadoras, gás, artilharia pesada) e o custo humano sem precedentes, argumentando que entender “por que” a guerra começou é menos revelador do que entender por que ela se tornou tão mortífera e duradoura.
Este resumo se apoia, entre outras fontes, em três referências centrais sobre a Primeira Guerra Mundial: