
Em 550 a.C., Ciro, o Grande, uniu as tribos persas e derrotou seu antigo soberano, o rei medo Astíages, dando início a uma expansão vertiginosa. Conquistou o riquíssimo reino da Lídia, na atual Turquia, e depois tomou a Babilônia em 539 a.C. com uma resistência mínima — o mesmo episódio, já visto na história da Mesopotâmia, que encerrou o Cativeiro Babilônico e permitiu o retorno dos hebreus exilados a Jerusalém. Em poucas décadas, seus sucessores, sobretudo Cambises II (que conquistou o Egito) e Dario I, expandiram o domínio persa sobre a Mesopotâmia, a Fenícia, a Palestina, partes da Índia e o Egito — formando o maior império contíguo que o mundo já havia visto até então, unindo sob um único governo povos, línguas e religiões extremamente diversos.

Os persas adotaram o Zoroastrismo, religião fundada pelo profeta Zaratustra, que descrevia o universo como palco de uma luta cósmica entre o Bem (representado pelo deus Ahura Mazda) e o Mal (Ahriman), com liberdade individual para cada pessoa escolher qual caminho seguir através de seus próprios pensamentos, palavras e ações. Diferente da maioria das religiões politeístas vizinhas, o zoroastrismo já continha ideias como um julgamento final das almas, a existência de um paraíso e um inferno, e figuras semelhantes a anjos e demônios — conceitos que, segundo muitos historiadores das religiões, teriam influenciado, mais tarde, elementos do judaísmo, do cristianismo e do islamismo, tornando o zoroastrismo uma das religiões mais influentes da história, mesmo sendo hoje praticada por um número relativamente pequeno de fiéis.
O primeiro grande revés persa veio das Guerras Médicas: as tentativas de Dario I e depois de seu filho Xerxes I de conquistar as cidades-estado gregas fracassaram, em batalhas como Maratona, Salamina e Platéia, e desgastaram os recursos e o prestígio do império. Nos séculos seguintes, rebeliões internas de sátrapas ambiciosos e disputas dinásticas pelo trono foram enfraquecendo progressivamente o poder central. O golpe final veio em 334-331 a.C., quando o jovem rei macedônio Alexandre Magno, à frente de um exército muito menor mas mais bem treinado, venceu sucessivas batalhas contra o rei persa Dario III — Gaugamela foi a decisiva — e conquistou todo o território persa, encerrando de vez o domínio da dinastia aquemênida sobre a região e dando início ao período helenístico.
💡 Você sabia? Apesar de comandarem um império gigantesco, os persas eram notavelmente tolerantes: permitiam que os povos conquistados mantivessem seus costumes, línguas e religiões.
Grande parte do que o Ocidente aprendeu sobre os persas veio de fontes gregas — que os retratavam como o grande inimigo “bárbaro” nas Guerras Médicas. O historiador francês Pierre Briant, em From Cyrus to Alexander: A History of the Persian Empire, é um dos principais responsáveis por revisar essa imagem: usando também fontes persas, babilônicas e egípcias, ele mostra um império notavelmente organizado, com estradas reais, um sistema de correios eficiente e uma política de tolerância religiosa e cultural para com os povos conquistados — foi um rei persa, Ciro, quem permitiu que os hebreus exilados na Babilônia retornassem a Jerusalém.
O historiador alemão Josef Wiesehöfer, em Ancient Persia, reforça esse ponto ao mostrar como a administração persa delegava poder a governadores locais (sátrapas) em vez de impor uma cultura única a todo o império — um modelo bem diferente da centralização que os textos gregos sugeriam. A historiadora Lindsay Allen complementa observando que muito do que sabemos hoje sobre a organização persa vem de registros administrativos em tabuletas de argila encontrados em Persépolis, e não apenas dos relatos — frequentemente hostis — de seus rivais gregos.
Este resumo se apoia, entre outras fontes, em três referências centrais sobre o Império Persa: