Na Alemanha humilhada pelas cláusulas do Tratado de Versalhes — já estudado na página sobre a Primeira Guerra Mundial — e devastada economicamente pela Grande Depressão que se seguiu à crise de 1929, com desemprego em massa e hiperinflação recente ainda na memória da população, Adolf Hitler e o Partido Nazista chegaram ao poder em 1933 prometendo restaurar a grandeza nacional alemã e reverter o que consideravam uma injustiça histórica. Explorando o mesmo clima de crise econômica e ressentimento nacionalista, o fascismo de Benito Mussolini já governava a Itália desde 1922. Depois de reconstruir secretamente as forças armadas alemãs em violação direta ao tratado, Hitler anexou a Áustria e depois a Tchecoslováquia em 1938, sem enfrentar resistência militar das potências ocidentais, que adotavam uma política de apaziguamento na esperança de evitar um novo conflito — até finalmente invadir a Polônia em 1º de setembro de 1939, o que levou Grã-Bretanha e França a declarar guerra à Alemanha.
De um lado, formou-se o Eixo — Alemanha, Itália e, a partir de 1940, o Japão, que já expandia seu próprio império militar na Ásia desde a invasão da Manchúria em 1931; do outro, os Aliados reuniam o Reino Unido, a França, a União Soviética (após ser invadida pela Alemanha em 1941, apesar de um pacto de não agressão prévio entre os dois países), os Estados Unidos (após o ataque japonês a Pearl Harbor, também em 1941) e dezenas de outros países ao redor do mundo. Diferente da Primeira Guerra, concentrada majoritariamente na Europa, este conflito foi travado simultaneamente em múltiplas frentes — na Europa, no Norte da África e no Pacífico — em uma escala geográfica e de mobilização de recursos nunca vista antes na história.
A guerra devastou fisicamente boa parte da Europa e projetou Estados Unidos e União Soviética como as duas superpotências dominantes do pós-guerra, rivais ideológicos que dividiriam o mundo em zonas de influência e dariam início, quase imediatamente, à Guerra Fria. A criação da Organização das Nações Unidas em 1945, concebida justamente para prevenir um novo conflito de escala global, e a Declaração Universal dos Direitos Humanos em 1948, redigida em resposta direta aos horrores do Holocausto e da guerra, nasceram diretamente da tentativa de reconstruir uma ordem internacional a partir das ruínas morais e físicas deixadas pelo conflito.
💡 Você sabia? A Segunda Guerra Mundial foi a primeira guerra da história em que o número de civis mortos superou o de soldados.
O historiador britânico Ian Kershaw, biógrafo definitivo de Hitler, argumenta em suas obras que entender a Segunda Guerra exige entender a figura do próprio ditador: para Kershaw, o regime nazista funcionava por um mecanismo que ele chamou de “trabalhando rumo ao Führer” — funcionários e generais antecipavam e radicalizavam as vontades supostas de Hitler, o que ajuda a explicar tanto as decisões militares desastrosas do fim da guerra quanto a escalada do extermínio.
Já o historiador britânico Richard Overy, em Por Que os Aliados Ganharam, questiona a ideia de que essa vitória tenha sido inevitável: muitas das batalhas mais decisivas do conflito — como a Batalha da Inglaterra, a Batalha do Atlântico e Stalingrado — foram vencidas antes que a balança de recursos pendesse fortemente a favor dos Aliados. Para Overy, o que explica a vitória não é simplesmente ter mais aço, mais aviões e mais soldados, mas a capacidade de transformar esse potencial econômico em poder de combate efetivo, através de melhor organização, moral das tropas e inovação tecnológica.
O historiador britânico Antony Beevor, em A Segunda Guerra Mundial, une essas duas perspectivas em uma narrativa abrangente que reconstrói o conflito em todas as suas frentes — do Leste Europeu ao Pacífico —, mostrando através de relatos de soldados e civis como decisões tomadas em gabinetes distantes se traduziam em sofrimento concreto nas cidades bombardeadas e nos campos de batalha.
Este resumo se apoia, entre outras fontes, em três referências centrais sobre a Segunda Guerra Mundial: