A Inglaterra reunia carvão e ferro em abundância, um sistema financeiro capaz de investir em máquinas e fábricas, mercados coloniais garantidos e uma população rural liberada pela Revolução Agrícola anterior para trabalhar nas cidades.
A máquina a vapor, aperfeiçoada por James Watt, libertou a produção da dependência de rios e animais. Fábricas passaram a se instalar onde havia carvão, e locomotivas e navios a vapor reduziram drasticamente o custo de transportar pessoas e mercadorias.
A partir de 1870, aço, eletricidade e petróleo impulsionaram uma nova onda de industrialização, com Alemanha e Estados Unidos despontando ao lado da Inglaterra como potências industriais.
💡 Você sabia? Crianças de apenas 5 ou 6 anos trabalhavam em minas de carvão e fábricas de algodão na Inglaterra do século XIX, muitas vezes por jornadas de mais de 12 horas.
O historiador econômico americano David Landes, em Prometeu Desacorrentado, narra a Revolução Industrial sobretudo como uma história de inovação tecnológica: a máquina a vapor, a mecanização têxtil e os avanços na metalurgia teriam “libertado” a capacidade produtiva humana das amarras impostas pela natureza, comparando o processo ao mito grego de Prometeu, que rouba o fogo dos deuses para dar aos homens.
O historiador marxista britânico Eric Hobsbawm, em A Era do Capital, concorda com a magnitude da transformação, mas insiste em olhar para quem pagou o preço dela: para ele, a industrialização consolidou o capitalismo como sistema global, criando riqueza sem precedentes ao mesmo tempo em que produzia desigualdade estrutural entre a burguesia industrial e uma nova classe trabalhadora explorada.
Já E. P. Thompson, em A Formação da Classe Operária Inglesa, discorda de tratar os trabalhadores apenas como vítimas passivas das máquinas e da fábrica: para ele, a classe operária inglesa não foi simplesmente “criada” pela industrialização, mas se formou ativamente, por meio de suas próprias tradições, organizações e lutas — um processo histórico feito pelos próprios trabalhadores, não apenas imposto a eles de cima para baixo.
Este resumo se apoia, entre outras fontes, em três referências centrais sobre a Revolução Industrial: