Segunda Guerra Mundial
O conflito mais mortífero da história: a ascensão do nazifascismo, as frentes de batalha, o Holocausto, as bombas atômicas, a participação do Brasil e o novo mundo que nasceu em 1945.
A Segunda Guerra Mundial (1939–1945) foi o maior e mais mortal conflito da história. Envolveu dezenas de países em praticamente todos os continentes e oceanos e causou a morte de algo entre 70 e 85 milhões de pessoas, segundo diferentes estimativas — a maioria delas civis. Suas origens estão ligadas aos problemas deixados pela Primeira Guerra Mundial e à grave crise das décadas de 1920 e 1930; suas consequências moldaram o mundo em que vivemos até hoje.
Início: invasão da Polônia pela Alemanha, em 1º de setembro de 1939. Lados: Eixo (Alemanha, Itália, Japão e aliados) contra os Aliados (Reino Unido, França, União Soviética, Estados Unidos, China, Brasil e dezenas de outros países). Fim: rendição da Alemanha em 8 de maio de 1945 e do Japão em 2 de setembro de 1945.
1. Um mundo em crise
A paz assinada em 1919, estudada na página sobre a Primeira Guerra Mundial, deixou muitos ressentimentos. Na Alemanha, humilhada pelas cláusulas do Tratado de Versalhes, a jovem República de Weimar enfrentou revoltas e uma hiperinflação devastadora: em 1923, o marco alemão perdeu quase todo o seu valor, e as economias de milhões de famílias desapareceram.
Depois veio a Crise de 1929, que começou com a quebra da Bolsa de Nova York e se espalhou pelo mundo, provocando falências, queda do comércio internacional e desemprego em massa. Na Alemanha, o número de desempregados chegou a cerca de seis milhões de pessoas. Nesse cenário de medo, ressentimento e descrédito da democracia liberal, ganharam força movimentos autoritários que prometiam ordem, emprego e grandeza nacional.
2. O fascismo italiano
Na Itália, insatisfeita com os resultados da Primeira Guerra e abalada por greves e conflitos sociais, Benito Mussolini chegou ao poder em 1922, após a Marcha sobre Roma. Ele instaurou o fascismo: um regime de partido único, nacionalista, militarista e anticomunista, baseado no culto ao líder (o Duce), na censura, na perseguição aos opositores e no controle da educação e da propaganda.
O nome vem do fascio, feixe de varas que simbolizava a autoridade na Roma Antiga — um exemplo de como o regime usava o passado para construir a imagem de uma Itália poderosa. Em 1935, a Itália invadiu a Etiópia, um dos poucos países africanos que haviam resistido ao Imperialismo.
3. O nazismo e a perseguição aos judeus
Na Alemanha, Adolf Hitler, líder do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (nazista), tornou-se chanceler em janeiro de 1933. Em poucos meses, eliminou a oposição, proibiu os outros partidos, controlou a imprensa e concentrou todo o poder, com o apoio de uma polícia política, a Gestapo, e das tropas da SS.
O nazismo acrescentou ao fascismo um racismo extremo, baseado na ideia de uma suposta superioridade da "raça ariana" e no ódio aos judeus, falsamente responsabilizados pelos problemas da Alemanha. As Leis de Nuremberg (1935) retiraram dos judeus a cidadania alemã e proibiram casamentos entre judeus e não judeus; em novembro de 1938, na chamada Noite dos Cristais, sinagogas e lojas judaicas foram destruídas em todo o país, e milhares de judeus foram presos. Hitler também defendia a conquista de um "espaço vital" (Lebensraum) no Leste Europeu, à custa dos povos eslavos.
4. O militarismo japonês
No Extremo Oriente, o Japão, que se tornara uma potência imperialista desde o fim do século XIX, passou a ser governado por militares nacionalistas que defendiam a expansão do império para obter matérias-primas e mercados. Em 1931, o Japão invadiu a Manchúria, no nordeste da China, e, em 1937, iniciou uma guerra em larga escala contra a China.
Durante a ocupação da cidade de Nanquim (1937–1938), o exército japonês cometeu um dos massacres mais terríveis do período, matando dezenas de milhares de civis e prisioneiros — as estimativas variam muito, chegando a centenas de milhares. Para muitos historiadores, a guerra na Ásia começou antes de 1939, com o conflito entre Japão e China.
5. A política de apaziguamento
As democracias europeias, traumatizadas pela guerra anterior e enfraquecidas pela crise econômica, adotaram a política de apaziguamento, fazendo concessões na esperança de evitar um novo conflito. Hitler remilitarizou a Renânia (1936), apoiou o general Franco na Guerra Civil Espanhola — onde a aviação alemã bombardeou a cidade de Guernica, em 1937, episódio retratado por Pablo Picasso — e anexou a Áustria (1938).
Na Conferência de Munique (1938), o Reino Unido e a França permitiram que a Alemanha ocupasse os Sudetos, região da Tchecoslováquia. Em março de 1939, Hitler ocupou o restante do país. Em agosto, surpreendeu o mundo ao assinar com a União Soviética de Stalin um pacto de não agressão, o Pacto Molotov-Ribbentrop, que secretamente dividia o Leste Europeu entre os dois. Em 1º de setembro de 1939, a Alemanha invadiu a Polônia; dois dias depois, Reino Unido e França declararam guerra à Alemanha.
6. Eixo x Aliados
De um lado, formou-se o Eixo — Alemanha, Itália e, a partir de 1940, com a assinatura do Pacto Tripartite, o Japão, além de aliados menores como Hungria, Romênia e Bulgária. Do outro, os Aliados, liderados inicialmente pelo Reino Unido e pela França e, a partir de 1941, também pela União Soviética e pelos Estados Unidos, com a participação da China e de dezenas de outros países, inclusive o Brasil.
| Ano | Acontecimento |
|---|---|
| 1939 | Invasão da Polônia; Reino Unido e França declaram guerra à Alemanha |
| 1940 | Queda da França; Batalha da Inglaterra; Pacto Tripartite |
| 1941 | Operação Barbarossa; ataque japonês a Pearl Harbor |
| 1942 | Midway; El Alamein; início de Stalingrado; Brasil entra na guerra |
| 1943 | Vitória soviética em Stalingrado; desembarque aliado na Sicília; queda de Mussolini |
| 1944 | Dia D na Normandia; FEB chega à Itália |
| 1945 | Tomada de Berlim; rendição alemã; bombas atômicas; rendição do Japão |
7. As vitórias do Eixo (1939–1941)
Nos primeiros anos, o Eixo acumulou vitórias. Usando a guerra-relâmpago (Blitzkrieg), que combinava tanques, aviação e infantaria motorizada em ataques rápidos e concentrados, a Alemanha conquistou a Polônia, a Dinamarca, a Noruega, os Países Baixos, a Bélgica e, em junho de 1940, a França, que foi ocupada e teve parte de seu território governada pelo regime colaboracionista de Vichy.
O Reino Unido, liderado por Winston Churchill, resistiu sozinho aos bombardeios alemães na Batalha da Inglaterra (1940). Em junho de 1941, Hitler rompeu o pacto com Stalin e invadiu a União Soviética, na Operação Barbarossa, chegando às portas de Moscou. Em 7 de dezembro de 1941, o Japão atacou de surpresa a base norte-americana de Pearl Harbor, no Havaí, levando os Estados Unidos à guerra; em seguida, conquistou rapidamente boa parte do Sudeste Asiático e do Pacífico.
8. A virada e a vitória aliada (1942–1945)
A virada começou em 1942 e 1943. No Pacífico, a marinha norte-americana venceu a Batalha de Midway (junho de 1942); no norte da África, os britânicos derrotaram os alemães em El Alamein; e, sobretudo, na Batalha de Stalingrado (agosto de 1942 a fevereiro de 1943), uma das mais sangrentas da história, o exército soviético cercou e destruiu um exército alemão inteiro. A partir daí, os soviéticos avançaram para o oeste.
Em julho de 1943, os Aliados desembarcaram na Sicília, e Mussolini foi derrubado. Em 6 de junho de 1944, o Dia D, mais de 150 mil soldados aliados desembarcaram no primeiro dia na Normandia, na França, abrindo uma nova frente no oeste. Pressionada pelos dois lados, Berlim foi tomada pelos soviéticos em 1945; Hitler se suicidou, e a Alemanha se rendeu em 8 de maio de 1945. No Pacífico, a guerra continuou por mais alguns meses.
9. O Holocausto
O Holocausto (ou Shoah, em hebraico) foi o extermínio sistemático e industrial de cerca de seis milhões de judeus europeus pelo regime nazista. Também foram perseguidos e assassinados centenas de milhares de ciganos (roma e sinti), pessoas com deficiência, homossexuais, opositores políticos e testemunhas de Jeová, além de milhões de prisioneiros de guerra soviéticos e civis eslavos.
A perseguição começou com a exclusão legal e os guetos e evoluiu para os fuzilamentos em massa no Leste Europeu e, depois da Conferência de Wannsee (1942), para a chamada "Solução Final": a deportação para campos de extermínio como Auschwitz-Birkenau, Treblinka e Sobibor, onde as vítimas eram assassinadas em câmaras de gás. O Holocausto mostrou até onde podem chegar o racismo, a desumanização do outro e a obediência a um Estado totalitário. Houve também resistência, como o levante do Gueto de Varsóvia (1943), e pessoas que arriscaram a vida para salvar judeus.
10. As bombas atômicas e a guerra total
Os ataques nucleares dos Estados Unidos contra as cidades japonesas de Hiroshima (6 de agosto de 1945) e Nagasaki (9 de agosto) mataram dezenas de milhares de pessoas instantaneamente; somando as vítimas das queimaduras e da radiação, o número de mortos passou de 200 mil até o fim daquele ano. O Japão se rendeu oficialmente em 2 de setembro de 1945, encerrando a guerra. As bombas inauguraram a era nuclear e a ameaça de destruição em escala planetária que marcaria toda a Guerra Fria. Até hoje, historiadores debatem se o uso das bombas era necessário para encerrar a guerra.
Foi também uma guerra total, em que os civis morreram em número maior do que os militares. Cidades inteiras foram bombardeadas: Varsóvia, Roterdã, Londres e Coventry pelos alemães; Hamburgo, Dresden e Tóquio pelos Aliados. Populações foram submetidas a ocupações violentas, fome, trabalho forçado e massacres. A União Soviética foi o país que mais perdeu vidas: mais de 20 milhões de pessoas. As economias de todos os países envolvidos foram voltadas para o esforço de guerra, e as mulheres assumiram, mais uma vez, postos nas fábricas e nos serviços.
- Documentos oficiais dos governos e exércitos, inclusive os registros nazistas apreendidos pelos Aliados.
- Os processos dos Tribunais de Nuremberg e de Tóquio.
- Testemunhos de sobreviventes, diários — como o de Anne Frank — e memórias de soldados.
- Fotografias, filmes, cartazes de propaganda e os próprios lugares de memória, como Auschwitz e Hiroshima.
11. O Brasil na Segunda Guerra
No início do conflito, o governo de Getúlio Vargas, que desde 1937 comandava a ditadura do Estado Novo, manteve uma posição ambígua, negociando com Alemanha e Estados Unidos. A aproximação com os norte-americanos prevaleceu: em troca de financiamento para a construção da Companhia Siderúrgica Nacional, em Volta Redonda, o Brasil permitiu a instalação de bases aéreas no Nordeste, como a de Natal, fundamentais para o transporte de tropas e equipamentos para a África. Depois que submarinos alemães e italianos afundaram dezenas de navios brasileiros, matando centenas de pessoas, o Brasil declarou guerra ao Eixo em agosto de 1942.
Em 1944, a Força Expedicionária Brasileira (FEB), com cerca de 25 mil soldados, foi enviada à Itália, onde lutou ao lado das tropas norte-americanas. Entre suas ações mais conhecidas estão a conquista de Monte Castello, em fevereiro de 1945, e a vitória em Montese, em abril. Cerca de 460 integrantes da FEB morreram na campanha. A participação na guerra teve também consequências internas: era contraditório lutar contra ditaduras na Europa e manter uma ditadura no Brasil, e essa contradição contribuiu para o fim do Estado Novo, em outubro de 1945.
12. O fim e o novo mundo
A guerra devastou boa parte da Europa e da Ásia e projetou Estados Unidos e União Soviética como as duas superpotências do novo mundo, com sistemas opostos: o capitalismo liberal e o socialismo de planejamento estatal. A Alemanha foi dividida em zonas de ocupação, que em 1949 deram origem a dois países, e a Europa ficou separada entre um bloco ocidental e um bloco oriental controlado pelos soviéticos. Para reconstruir a Europa Ocidental e conter a influência comunista, os Estados Unidos lançaram o Plano Marshall, em 1947. Começava a Guerra Fria.
O horror da guerra levou também à criação de novas instituições internacionais. Em outubro de 1945, foi fundada a Organização das Nações Unidas (ONU), com o objetivo de preservar a paz e promover a cooperação entre os povos. Nos Tribunais de Nuremberg (1945–1946), líderes nazistas foram julgados por crimes de guerra e crimes contra a humanidade, criando um precedente para o direito internacional. Em 1948, a ONU aprovou a Declaração Universal dos Direitos Humanos. A guerra enfraqueceu ainda as potências coloniais europeias e acelerou a independência de países da Ásia e da África, encerrando a era do Imperialismo.
Diferentemente da Primeira Guerra, em que a maioria dos mortos foi de soldados, na Segunda Guerra Mundial o número de civis mortos superou o de militares — resultado dos bombardeios, dos massacres, da fome e do Holocausto.
13. Hitler, recursos ou organização? O debate sobre a guerra e a vitória aliada
O historiador britânico Ian Kershaw, autor de uma das biografias de Hitler mais respeitadas, argumenta que entender a Segunda Guerra exige entender o funcionamento do regime em torno do ditador. Kershaw popularizou a ideia de "trabalhar em direção ao Führer", expressão retirada do discurso de um funcionário nazista: autoridades e generais antecipavam e radicalizavam as vontades supostas de Hitler, o que ajuda a explicar tanto as decisões militares desastrosas do fim da guerra quanto a escalada do extermínio.
O historiador britânico Richard Overy, em Why the Allies won ("Por que os Aliados venceram"), questiona a ideia de que a vitória aliada tenha sido inevitável: várias batalhas decisivas — como a Batalha da Inglaterra, a Batalha do Atlântico e Stalingrado — foram vencidas antes que a balança de recursos pendesse fortemente a favor dos Aliados. Para Overy, o que explica a vitória não é simplesmente ter mais aço, aviões e soldados, mas a capacidade de transformar esse potencial econômico em poder de combate efetivo, por meio de organização, moral e inovação tecnológica. Já Antony Beevor, em A Segunda Guerra Mundial, constrói uma narrativa abrangente de todas as frentes — do Leste Europeu ao Pacífico —, mostrando, por meio de relatos de soldados e civis, como decisões tomadas em gabinetes distantes se traduziam em sofrimento concreto.
14. Mudanças e permanências
A Segunda Guerra Mundial mudou o mapa político do planeta: a Europa perdeu a centralidade que tivera por séculos, as superpotências passaram a disputar a hegemonia mundial, os impérios coloniais começaram a ruir e surgiu um sistema internacional baseado na ONU e nos direitos humanos. A ciência e a tecnologia deram saltos — da energia nuclear aos computadores, aos foguetes e aos antibióticos em larga escala.
Algumas permanências, porém, preocupam até hoje: o racismo, o antissemitismo, o negacionismo do Holocausto, a atração por líderes autoritários em tempos de crise e a existência de milhares de armas nucleares. Por isso, os lugares de memória e a educação sobre o Holocausto são considerados fundamentais para que esses horrores não se repitam.
15. Por que estudar a Segunda Guerra Mundial
Estudar a Segunda Guerra ajuda a compreender como crises econômicas, discursos de ódio e o desprezo pela democracia podem levar a catástrofes. O tema também mostra a importância dos direitos humanos, das instituições internacionais e da memória das vítimas, além de explicar as origens da Guerra Fria e da ordem mundial do pós-guerra.
Para continuar a viagem pela Idade Contemporânea, siga para a página sobre a Guerra Fria.
- Como a crise econômica de 1929 contribuiu para a ascensão do nazismo e do fascismo?
- O que foi a política de apaziguamento e por que ela fracassou?
- Por que a Batalha de Stalingrado é considerada um ponto de virada da guerra?
- Por que é importante preservar a memória do Holocausto?
- Como a participação do Brasil na guerra contribuiu para o fim do Estado Novo?
Perguntas frequentes
Quando começou e terminou a Segunda Guerra Mundial?
Começou em 1º de setembro de 1939, com a invasão da Polônia pela Alemanha, e terminou em 2 de setembro de 1945, com a rendição oficial do Japão. Na Europa, a guerra acabou com a rendição alemã, em 8 de maio de 1945.
Quais países formavam o Eixo e os Aliados?
O Eixo era formado principalmente por Alemanha, Itália e Japão. Os Aliados eram liderados por Reino Unido, França, União Soviética e Estados Unidos, com a participação da China, do Brasil e de dezenas de outros países.
O que foi o Holocausto?
Foi o extermínio sistemático de cerca de seis milhões de judeus europeus pelo regime nazista, além de ciganos, pessoas com deficiência, homossexuais, opositores políticos e outros grupos perseguidos.
Como o Brasil participou da Segunda Guerra Mundial?
O Brasil declarou guerra ao Eixo em 1942, cedeu bases aéreas no Nordeste aos Estados Unidos e enviou a Força Expedicionária Brasileira, com cerca de 25 mil soldados, para lutar na Itália em 1944 e 1945.
Referências para aprofundamento
- BEEVOR, Antony. A Segunda Guerra Mundial. Rio de Janeiro: Record, 2015.
- KERSHAW, Ian. Hitler. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
- OVERY, Richard. Why the Allies won. London: Jonathan Cape, 1995.