
Também chamados de judeus ou israelitas, os hebreus descendem de um povo semita nômade que, segundo a tradição bíblica, teve em Abraão seu primeiro patriarca — o homem que teria firmado a aliança original com um único deus e deixado a Mesopotâmia, por volta de 1.800 a.C., rumo à terra de Canaã, na Palestina, região fértil sobretudo nas margens do rio Jordão. Seus descendentes, através de Isaque e depois Jacó (também chamado Israel, nome que passaria a designar o próprio povo), teriam formado as doze tribos que compunham a nação hebraica — cada uma associada a um dos doze filhos de Jacó.
A narrativa bíblica conta que uma grande fome levou parte desse povo ao Egito, onde viveram por gerações até serem escravizados. Foi dali que, segundo o relato do Êxodo, Moisés os teria conduzido de volta à Palestina, num episódio que se tornaria o mito fundador central da identidade hebraica — a passagem da escravidão para a liberdade sob a proteção de um único deus.

A principal marca do povo hebreu, e o que mais o distinguia de seus vizinhos, foi a religião: numa época em que egípcios, mesopotâmicos e praticamente todos os outros povos da região cultuavam múltiplos deuses ligados a forças da natureza, os hebreus acreditavam em um único deus, Iahweh, sem forma física representável, com quem firmaram uma aliança (berit, em hebraico) como “povo escolhido” — em troca de fidelidade exclusiva a esse deus, receberiam proteção e a própria terra de Canaã. A Torá — que reúne o Pentateuco, os cinco primeiros livros do Velho Testamento — narra essa trajetória inteira, incluindo a entrega, no Monte Sinai, dos Dez Mandamentos: um código moral e religioso relativamente simples e memorizável, que reforçava a ideia de que a lei divina se aplicava a todos os membros do povo, não apenas a uma elite sacerdotal.
💡 Você sabia? A Torá hebraica contém os mesmos cinco primeiros livros do Velho Testamento da Bíblia cristã — o Pentateuco.
Por muito tempo, a principal fonte sobre a história dos hebreus foi a própria Bíblia Hebraica, e historiadores como John Bright, autor de A History of Israel, buscaram reconstruir a trajetória do povo hebreu a partir dela, cruzando os relatos bíblicos com outras fontes do Oriente Médio antigo sempre que possível.
Décadas depois, o avanço da arqueologia trouxe um debate mais intenso. Os arqueólogos Israel Finkelstein e Neil Asher Silberman, em A Bíblia Não Tinha Razão, mostram que escavações no território de Israel não confirmam integralmente episódios bíblicos como a conquista militar de Canaã ou a existência de um grande reino unificado sob Davi e Salomão nos moldes descritos pelo texto sagrado — para eles, boa parte da narrativa bíblica foi composta séculos depois dos eventos que descreve, refletindo também as necessidades políticas e religiosas de quem escreveu, especialmente durante e após o Cativeiro Babilônico. O biblista Norman K. Gottwald, por sua vez, propõe ler a Bíblia Hebraica como um documento social e literário — uma fonte riquíssima sobre como o povo hebreu compreendia a si mesmo, independentemente do debate sobre a exatidão factual de cada episódio.
Este resumo se apoia, entre outras fontes, em três referências centrais sobre a história dos hebreus: